Entendendo o livro de Levitíco – Parte II 1


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Continuando….

6. OS QUATRO GRANDES BLOCOS DE LEVÍTICO

De uma maneira sistemática, o livro de Levítico pode ser dividido em quatro grandes blocos de observação. Estes grupos podem ser observados no decorrer do texto de uma maneira contínua. Cada tópico irá representar uma intenção de Deus na compilação deste texto.

Esta sistematização é muito útil no momento da leitura do texto. É muito útil observarmos esta divisão quando da leitura corrida do texto. O ideal é fazer a leitura de Levítico como se fosse de quatro livros separados.

Abaixo apresentamos um excelente quadro extraído das notas da Bíblia Thompson[1]. Observe as divisões, conflite com o que você já conhece do texto. Acrescente as informações passadas até agora pelo nosso estudo e você poderá notar que muitas coisas irão clarear na sua compreensão do texto de Levítico.

I. A vida de acesso a Deus.

(1) Por meio de sacrifícios e ofertas.

(a) Holocaustos, que significavam expiação e consagração, 1:2-9.

(b) Oblações, que significavam ação de graças, 2:1-2.

(c) Ofertas pelo pecado, que significavam reconciliação, cap. 4.

(d) Ofertas pela transgressão, que significavam limpeza de culpa, 6:2-7.

(e) Ofertas de paz, 7:11-15.

 

(2) Através da mediação sacerdotal.

O sacerdócio humano:

(a) seu chamado, 8: 1-5;

(b) sua limpeza, 8:6;

(c) seus ornamentos, 8:7-13;

(d) sua expiação, 8: 14-34;

(e) exemplos de sua vida pecaminosa, cap. 10.

II. Leis especiais que governam a Israel.

(1) Quanta ao alimento, cap. 11.

(2) Quanta Ii limpeza, higiene, costumes, moral, etc., todas enfatizavam a pureza de vida como condição para obter 0 favor divino, caps. 12-20.

(3) Pureza dos sacerdotes e das ofertas, caps. 21-22.

 

III. As cinco festas anuais.

(1) A Festa da Páscoa, 23:5.

(2) A Festa do Pentecoste (ou das semanas), 23: 15.

(3) A Festa das Trombetas, 23:23-25.

(4) O Dia da Expiação, cap. 16, e 23:26-32.

(5) A Festa dos Tabernáculos, 23:39-43.

 

IV. Leis e instruções gerais

(1) O ano sabático. Um ano em cada sete a terra era deixada sem cultivo, 25:2-7.

(2) O Ano do Jubileu. Um ano em cada cinqüenta era designado para que os escravos fossem libertados, as dividas perdoadas e uma restituição geral tivesse lugar. 25:8-16.

(3) Condições para as bênçãos e advertências acerca do castigo, cap. 26.

7. AS FESTAS DO POVO DE DEUS

As festas no cenário de Levítico representa uma moção do Senhor a fim de atender objetivos religiosos e sociais. Em termos religiosos os sacrifícios tinham posição central. Já em termos sociais, a assistência aos pobres e necessitados da nação tinham ações práticas ao seu favor.

No entanto, o maior objetivo dos festas era que Deus e seus estatutos estivessem sempre presentes na mente e no cotidiano do povo escolhido.

Um ponto a se destacar é quanto à questão da “Santa Convocação” (Lv. 23.2), que consistia no chamado compulsório de Deus para as festas. Nos dias de santa convocação não era permitido realizar nenhum tipo de trabalho, salvo os de preparação da comida, como pode ser visto no texto em Êxodo:

Ex 12:16

Convoquem uma reunião santa no primeiro dia e outra no sétimo. Não façam nenhum trabalho nesses dias, exceto o da preparação da comida para todos. É só o que poderão fazer.

Eram sete as festas instituídas em Levítico, sendo que destas mesmas três eram obrigatórias a todos os do sexo masculino: Páscoa (e conseqüentemente a dos Pães Asmos), Pentecoste e Tabernáculos.

∟Páscoa/Pães Asmos – Era comemorada para lembrança do sofrimento e da libertação da escravidão no Egito. As duas festas estavam intimamente ligadas.

∟Pentecoste – Também era conhecida como festa das Semanas ou da Colheita. Na verdade, o nome Pentecoste só veio ser comumente usado por volta de 300 a.C., devido ao domínio e influência do império Grego e sua cultura. Pentecoste quer dizer “50 dias depois”, pois a festa ocorria 50 dias passados da Páscoa. Eram ao todo sete semanas de celebração, começando com a colheita da cevada; o encerramento acontece com a colheita do trigo (Dt 34.22; Nm 28.26; Dt 16.10).

∟Tabernáculos – Ocorria no sétimo mês e durava sete dias, fazendo jus ao reconhecimento do número sete como o representante da perfeição nas Escrituras. A festa tinha como objetivo lembrar os 40 anos de peregrinação no deserto. O povo devia habitar sete dias em cabanas para que se lembrasse que o Senhor os fez habitar em cabanas quando do êxodo (Lv 23.42-43). Por isso também era conhecida como a festa das Cabanas.

∟ Trombetas –  Comemorava o início do ano civil dos hebreus. O toque de uma trombeta no 1º dia do mês tisri (7º mês) anunciava a festa. Provavelmente esta trombeta era feita de chifre de carneiro, que era própria para as cerimônias solenes do antigo Israel.

∟Dia da Expiação – Era o dia mais solene do ano. O povo devia cessar o seu trabalho e “afligir a sua alma” (Lv. 23.27). Neste dia (10º dia do mês de tisri) o Sumo Sacerdote entrava no Lugar Santíssimo do Tabernáculo, a fim de fazer a expiação do pecado de todo o povo. Este era o único dia permitido por Deus para que alguém, e neste caso somente o Sumo Sacerdote, entrasse no lugar mais sagrado do Tabernáculo.

∟Primícias – Ocorria nas festas dos Pães Asmos e no Pentecoste, e consistia da oferta dos primeiros frutos da colheita. Representava a benção o Senhor sobre a fartura da Terra Prometida.

Segue abaixo um quadro das festas anuais de Israel[2]:

Tabela Levitico

8. CURIOSIDADES

1. Bode Expiatório – Uma das maiores curiosidades encontradas nos livro de Levítico é certamente o da figura do bode expiatório (Lv 16.20-22). A curiosidade é pelo fato de muitas pessoas, hoje e de muito tempo, usarem esta terminologia para designar alguém que sofreu algum tipo de punição em lugar de alguém, sem ter tido culpa. O bode expiatório é um mandamento cerimonial de Deus. No Dia da Expiação, o sacerdote colocava sua mão sobre a cabeça de um bode, e lhe imputava, ou seja, transferia através de confissão, os pecados de todo o Israel. Depois, este bode, que já levava sobre si os pecados que não eram seus, era conduzido para o deserto a fim de que as iniqüidades não estivessem mais na presença do Senhor.

2. Sementes para os Pobres – Os Israelitas não tinham, certamente,  um programa de assistência social para ajudar os pobres nos tempos do Antigo Testamento, mas Deus se mostra meticuloso ao cuidar dos pobres. Os agricultores deviam deixar sementes de cereais da borda do campo e as que ficassem para trás na colheita para que as pessoas pobres e viajantes pudessem ter algo para comer. Veja o texto:

Levítico 19.9-10.

9“Quando fizerem a colheita da sua terra, não colham até as extremidades da sua lavoura, nem ajuntem as espigas caídas de sua colheita. 10Não passem duas vezes pela sua vinha, nem apanhem as uvas que tiverem caído. Deixem-nas para o necessitado e para o estrangeiro. Eu sou o Senhor, o Deus de vocês.

A história que encontramos em Rute 2.2-9 mostra como o cumprimento dessa lei foi fundamental para a provisão alimento para os forasteiros.

3. A Morte de Nadabe e Abiú – O Sumo Sacerdote Arão tinha quatro filhos, que foram consagrados ao sacerdócio (Nm 3.2). Os dois mais velhos, Nadabe e Abiú foram consumidos pelo fogo do Senhor (Lv 10.2), por apresentarem “fogo estranho” perante Deus. Ninguém sabe ao certo o que é este “fogo estranho”. O mais provável é que as instruções para a oferta do incenso não foram seguidas a risca. Alguns comentaristas acreditam que os dois estavam embriagados no momento da oferta, mas tudo é especulação. Não há nada de concreto.

4. Purificação Depois do Parto – No capítulo 12 é descrito algo semelhante com a dieta, que se recomenda a toda gestante do nossos dias, faça depois do parto. O interessante da história é que a purificação variava conforme o sexo da criança. Se o fruto do parto fosse um menino, a purificação duraria sete mais trinta e três dias. Porém, se fosse uma menina a purificação duraria duas semanas mais sessenta e seis dias. Outra fato importante é que a mulher nesse período não podia ter contato com nada que fosse santo.

9. O LIVRO DE LEVÍTICO E OS NOSSO DIAS

Muitos dos interpretes críticos das Escrituras, senão a maioria, não vê aplicabilidade nos textos do AT, principalmente os do livro de Levítico. Isto é um tremendo equivoco e perda de uma chance muito grande de edificação pessoal. Além de que o texto de Levítico traz muitas fundamentações teológicas que se baseia o cristianismo.

Como todo o AT, Levítico é um pano de fundo, um cenário para o desenrolar da fé cristã. Como em uma peça de teatro, o cenário (neste caso Levítico) tem por função ambientar a ação dos protagonistas. O que pretendemos fazer aqui é entender por que este “pano de fundo” é importante para a Igreja de Cristo nos dias atuais.

A primeira grande contribuição de Levítico é quanto à conscientização da gravidade que o pecado tem para Deus. O capítulo 10 é rico em descrever tal fato. Deus nos mostra em Levítico que o pecado é algo que impede o seu relacionamento conosco, que é intolerável, mas que pode ser apagado através da expiação. E mais, quando Deus indica que esta expiação deveria ser feito inclusive pelos pecados dos Sumo Sacerdote, revela que o pecado é algo universal, inerente a toda a humanidade(Mt 7.21-23; Rm 3.23).

Através do rigor da Lei litúrgica de Levítico, temos noção do poder que envolve a pessoa de Cristo.

O Sumo Sacerdote era o único que tinha acesso direto a Deus. E isto só ocorria uma vez ao ano. Jesus é o sacerdote por excelência. É o sacerdote perfeito (Hb 7.28) que nos dá acesso direto ao Pai, por meio do Seu sangue, não uma vez, mas constantemente. Por isso a sua morte rompeu o véu do Templo (Mt 27.51 – Hb 10.19-20).

Parar finalizar ressaltamos Deus como fonte de vida e que habitou no meio de nós, em Levítico no Tabernáculo e nas suas manifestações miraculosas, e na Nova Aliança na pessoa de Jesus Cristo como relata o texto na tradução Almeida revista e atualizada:

Jo 1:14

E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.

Jesus, o Deus encarnado, refletiu em sua vida aquilo que Deus prefigurava quando exortava o povo à santidade. Jesus refletia esta santidade e por causa dela pode ser o sacrifício perfeito e definitivo:

2 Co 5:21
Deus tornou pecado por nós aquele que não tinha pecado, para que nele nos tornássemos justiça de Deus.

Graças a estes paralelos podemos entender a profundidade do ministério de Jesus Cristo.

10. Conclusão

A partir do estudo mais aprofundado de Levítico temos noção de muito que Deus espera da nossa vida, e o que tem a oferecer a ela. Através deste estudo, acredito que possamos entender um pouco mais que a Graça do Senhor é melhor que tudo, é “melhor que a vida”.

Tendo a busca por santidade, o crescer em graça, na fé,  como objetivo maior descrito em Levítico, mas nos moldes da Nova Aliança em Jesus Cristo, o crente certamente terá a verdadeira alegria e vida abundante que só vem de Deus.

“… eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.”

Jo 10.10

Que Deus o abençoe.

P.s.: Você pode baixar este texto no Scribd. Clique aqui.

 

Veja a primeira parte em Entendendo o Livro de Levítico – Parte I – Clique Aqui

 

FICHA TÉCNICA

1. Bíblia de Estudo Genebra

2. Bíblia de Estudo Thompson

3. Bíblia NVI

4. Texto Características do povo sacerdotal de Deus (II) – Waltir P. da Silva

5. Descobrindo o Antigo Testamento – Ed Cultura Cristã

6. http://www.metodista.br

7. http://www.monergismo.com

8. Manual Bíblico Halley

9. Dicionário Bíblico John Davis


[1] Bíblia de Referência Thompson – São Paulo: Ed. Vida, 1996. p. 1389.

[2] Bíblia de Estudo Genebra – São Paulo: Ed. Cultura Cristã, 1999. p. 153


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Um pensamento em “Entendendo o livro de Levitíco – Parte II

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    Sou Seminarista para honra e glória do nosso Senhor Jesus Cristo e do Nosso Deus Jeová.
    Gosto muito dos seus editais, serve como materias de estudos, e tem ajudado muito a compreender certos pontos obscuros na A.T.de difícil interpretação, pois com esse editais vem clarear a minha mente, e o Espírito Santo de Deus afasta toda seta do inimigo.
    Um forte abraço do Ir. na Fé.