A triste secularização da Europa. 2


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Por Fabio Marchior Machado

Nesta semana, deputados franceses divulgaram um documento com a proposta de proibir o uso do véu integral (habito muito comum entre mulheres mulçumanas) em locais de serviço público, como escolas, hospitais, transportes e outros. Em suma, a nova lei se aprovada irá coibir um hábito religioso, de características fundamentais no islamismo. No entanto, não há no projeto de lei nenhuma proposta de sansão monetária (multa) ou de liberdade individual (como considerar o uso do véu um crime). Rege a proposta que a pessoa que encontrar-se em “delito” será impedida de usufruir do serviço público. Por exemplo, se uma mulher mulçumana precisar de um tratamento médico que envolva um hospital público, ela deverá retirar o seu véu, ou caso contrário, será impedida de realizar o tratamento.

Este fato mostra o que vem acontecendo de forma avassaladora no velho continente. Uma total secularização da Europa. Em muitos casos a religião tornou-se o inimigo número um da sociedade européia.

A perseguição descrita acima, nada tem haver com implicações de segurança, como combate ao terrorismo, mas é o retrato claro para onde caminha a Europa: – Um lugar onde Deus não tem vez!

A França e o Reino Unido são o epicentro deste movimento. Na Inglaterra escolas, hospitais e locais públicos foram proibidos de ter crucifixos pendurados em suas paredes, mesmo em instituições particulares cristãs.

A fé na Europa em número diz que menos de 5% da população européia vai a igreja, e dentro deste percentual incluem-se os católicos. Apenas 3% do público frequenta cultos regularmente. Destes 3% de frequentadores, metade são negros. Note que apenas 5% da população européia é negra.  Ainda mais, somente 1% da população considera Jesus Cristo como modelo de vida. Até Michael Jackson é mais bem visto. [1]

Nada se compara, porém, ao número do crescimento do ateísmo no continente. Nos últimos 100 anos os  ateístas cresceram 7.547 % na Europa. É o maior índice mundial.  Desde janeiro do ano passado os ônibus de Londres estão autorizados a circular com propaganda cética, como da foto abaixo:

There's probably no God. Now stop worrying and enjoy your life (Provavelmente não existe um deus. Pare de se preocupar e aproveite a vida — tradução livre)

There's probably no God. Now stop worrying and enjoy your life (Provavelmente não existe um deus. Pare de se preocupar e aproveite a vida — tradução livre)

Muitos cientistas sociais e teólogos creditam tal situação ao desenvolvimento sócio-econômico elevado  da Europa. A junção de bom emprego, boa casa, família, lazer e saúde de qualidade, teoricamente dispensariam a necessidade de um deus que zelasse pela vida humana. Entretanto, acredito que existam mais questões, além destas, envolvidas nesta história.

A segunda carta à Timóteo traz uma afirmação interessante:

3 Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; 4 e se recusarão a dar ouvidos  à verdade, entregando-se às fábulas.” ( 2 Timóteo 4:3-4)

A primeira questão é que o próprio Deus revelava através das Escrituras que isso aconteceria, oriunda não da sua vontade, mas da atitude pecaminosa do homem . A mesma Europa que foi o berço da maior parte do desenvolvimento do cristianismo, foi o lugar onde o ceticismo e o humanismo tiveram origem, cresceram e se solidificaram. Os “mestres segundo a sua própria cobiça” estão aparecendo aos montes, como é o caso do famoso ateísta Richard Dawkins, autor do livro Deus, um delírio. A imensa necessidade de que o homem seja o centro da vida, faz com que Deus vire um inimigo.

A segunda questão é em relação ao futuro. A sociedade européia, mais do que outras no mundo, vem tornando-se cada vez mais imediatista. Vive-se o hoje e ponto final. Menos de 10% da população declara que pensa na vida após a morte. Daí a necessidade de um Deus que propõe salvação é algo que não faz o menor  sentido.

O fato é que a terra de grandes nomes do cristianismo como Lutero, Calvino, Wesley, Spurgeon, Lloyd-Jones e outros,  caminha a passos largos para o “morte de Deus”. A questão que fica é: -O que nós, que somos frutos da visão missionária que este continente teve no passado, faremos? Preocuparemo-nos a levar luz como um dia assim eles fizeram? Ou simplesmente esta será apenas mais uma notícia corriqueira, das muitas que permeiam os nossos dias?

Deus abençoe.


[1] http://ozielfalves.blogspot.com/2007/03/o-apago-da-f-na-europa.html


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2 pensamentos em “A triste secularização da Europa.

  • Alcino

    O percentual de presença nos templos e igrejas é similar ao do resto do mundo, duvido que se mais de 3 ou 5 por cento das pessoas fossem a estes lugares, haveria lugar para todo mundo (faça o cálculo de quantas pessoas cabem nas igrejas de uma cidade e do número de habitantes etc). Na Europa, vejo todo domingo pessoas das mais variadas crenças cristãs irem a suas igrejas com bíblias na mão, e elas estão sempre relativamente cheias. Na Inglaterra, citada duas vezes no artigo, as crianças de escolas públicas e jovens universitários tem a disciplina de estudos religiosos, onde aprendem um pouco da cada grande tradição religiosa. Nas escolas católicas há missa. Nas anglicanas, serviços religiosos etc. Agora o espaço público é respeitado como comum: na escola pública e em prédios públicos não se pode colocar crucifixo para que ele seja colocado em casa ou nas igrejas, e as outras religiões (islamismo, budismo, hinduismo etc) façam o mesmo, evitando assim outras “guerras” ou conflitos por motivos religiosos: essa foi uma grande invenção européia, que agora se estende para o mundo todo. Já o cartaz do ônibus é parte de propaganda do humanismo secular, um tipo de religião dos ateus, sem deus, mas que é minoria. Eles pagam para divulgar suas idéias, como os cristãos e outros religiosos ou grupos políticos ingleses também fazem. A igreja anglicana por exemplo, é oficial, e a rainha é sua chefe, fazendo pronunciamento religioso no natal… Isso será mais visto do que o cartaz no ônibus, com certeza.