O profeta do Pentecoste


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Na minha modesta opinião, um dos personagens bíblicos mais injustiçados, ou pelo menos esquecidos, pela Igreja Cristã de hoje é o profete Joel. Um dos momentos mais importantes da história da nossa fé, lá na época da Igreja Primitiva, foi inspirado pelas palavras de dele.

Estou falando do discurso do apóstolo Pedro, no dia de Pentecoste, que está descrito no livro de Atos dos Apóstolos, capítulo 2, versos de 14 até o 41. Para muitos estudiosos, a partir daquele sermão que se dá a origem ao que conhecemos como Igreja, com a conversão de 3.000 pessoas. Pedro usa na sua fala ao povo o texto de Jl 2.28-32 ( em At 2.17-21).

É certo que pouco se sabe a respeito do profeta, a não ser que era filho de um cidadão chamado Petuel (Jl 1.1). Entretanto, podemos supor algumas coisas para entender melhor quem foi este grande homem de Deus. Em todo o livro de Joel podemos notar um grande interesse por Jerusalém e pelo Templo. Isto nos faz supor que Joel pode ter vivido em Jerusalém e desempenhado seu ministério profético no Templo. Contudo, é muito incerto afirmar que Joel tenha sido um sacerdote do Templo. Outra grande incerteza que se tem a respeito de Joel é o período em que ele viveu.  Muitas são as linhas de pensamento quanto a data, indo de aproximadamente 900 a.C. até 400 a.C. Compartilho, porém,  a opinião de João Calvino, que não há como determinar o período da sua existência.

O grande foco ministerial de Joel, cujo nome quer dizer “O Senhor é Deus”, foi a pregação do arrependimento e conversão para a salvação. Em tempos onde pregadores professam a conversão para receber bênçãos e uma salvação barata, sem compromisso pessoal nenhum (falaremos isso num texto futuro), esta mensagem de Joel soa até um pouco dissonante. Apesar de tudo isso, a mensagem de Joel apresenta-se de maneira atual e direta para a Igreja.

No decorrer do texto, você poderá perceber que a dinâmica do texto do profeta é a mesma da salvação em Jesus Cristo.

O profeta Joel estrutura o seu texto em 3 pontos chaves – O Dia do Senhor, chamada ao arrependimento e a promessa de aliança aos convertidos. Vamos ver cada um deles:

 

– Dia do Senhor – É a menção do julgamento onde todos os povos, um dia, irão ser submetidos na presença do Senhor. O Dia do Senhor também está relacionado às consequências do pecado e da desobediência do povo, ou seja,  a ira de Deus. Neste sentido, o profeta usa um acontecimento histórico, a destruição dos gafanhotos, para exemplificar as consequências do pecado da nação.

Um parênteses importante aqui. A Bíblia nunca disse que cortador, migrador, devorador e destruidor são demônios! O que ela diz é que eles são tipo de gafanhotos, ou fases da vida de gafanhotos, que proporcionaram uma destruição nas plantações, numa proporção nunca vista pelos habitantes da Terra Santa. Não preciso nem dizer que o texto de Joel não diz que estes “demônios” só são afastados com o dízimo e oferta generosa, como afirmam alguns pseudopastores que andam por aí.

Em suma, Joel faz uma analogia para que o povo entendesse as consequências do pecado nas suas vidas, como pessoa e nação, estando eles sujeitos a coisas como fome,  doenças e ação de exércitos inimigos (Jl 1.6-9).

 

– Arrependimento – Ao mesmo tempo em que Joel apresenta o Senhor como um Deus que se ira e está pronto para a justiça contra o pecado, ele mostra um Deus pronto a perdoar, misericordioso e detentor de todo o amor como diz o versículo 13 do capítulo 2:

E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes; e convertei-vos ao Senhor vosso Deus; porque ele é misericordioso e compassivo, tardio em irar-se e grande em benignidade, e se arrepende do mal.

O arrependimento é o começo do caminho para a salvação e, consequentemente, perdão dos pecados. Na mente do Senhor o arrependimento leva a conversão, que leva a salvação. É como Jesus diz a Nicodemos, que aquele que não nascer de novo não terá salvação (Jo 3.3).

Mas qualquer arrependimento vale? Certamente, não. Somente um arrependimento genuíno, de coração, que extrapola o interior de maneira clara (choro e pranto) inclinará os ouvidos do Senhor a nosso favor (Jl 2.12).

Em Jo 3 vemos o poder que este arrependimento traz. Veja o texto:

“17Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. 18Quem crê nele não é julgado; mas quem não crê, já está julgado; porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.” (Jo 3.17-18)

O arrependimento genuíno, oriundo da fé em Jesus, traz salvação porque o que assim o faz está livre de qualquer julgamento por causa do pecado.

 

Promessa da Aliança – Neste ponto o texto de Joel começa a mostrar toda a benevolência de Deus para com os convertidos. O grande presente Dele para os que se arrependem é o derramamento do Seu Espírito, como ocorreu em Atos 2. Algo a se considerar é a extensão desta promessa. O texto de Jl 3.32 mostra que não haverá distinção para Deus, desde que a pessoa se converta genuinamente. O texto apresenta um lastro abrangente quando cita jovens, velhos, filhos e servos. Não há, biblicamente, como se arrepender e se converter a Jesus sem receber o Espírito Santo.

A ação do Espírito Santo tem um papel muito importante nos planos de Deus. É Ele, o Espírito, que nos capacita como cristão, e como Igreja, para desempenharmos o mesmo papel do profeta Joel, ou seja, se você é um crente realmente arrependido e convertido, e não prega o arrependimento e a conversão em Jesus, você não faz jus a grandeza que é o privilégio de ter o Espírito Santo de Deus em você.

Para finalizar, eu espero que possamos valorizar ministérios como o de Joel, e imitar o apóstolo Pedro, que não apenas usa a citação do profeta, mas reforça a mensagem dele no apelo final do seu sermão dizendo que todos deveriam se arrepender, crer em Jesus e ser batizado no nome Dele, recebendo o Santo Espírito de Deus para servir aos propósitos de Deus na semelhante medida do grande profeta Joel.

 

Deus o abençoe.

 

 

Fabio Marchiori Machado

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